Presença

Lembrar

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Lembrar...

A maior mentira que nos contaram — ou talvez a maior ilusão que herdamos — é a ideia de separação.

Nos fizeram acreditar que somos pequenos, frágeis e isolados. Que o Criador está “lá fora”, distante de nós. Que precisamos merecer ou conquistar esse contato, como se fosse algo externo. Que nossa vida está à mercê do acaso, e não co-criada por nós mesmos.

Essa narrativa faz com que muita gente viva buscando fora aquilo que já é a essência dentro.

Do ponto de vista quântico e espiritual, tudo é energia, informação e consciência — e não existe um “fora”. Somos parte do campo, do TODO, do UM. Quando esquecemos isso, aceitamos limitação, medo e culpa como verdades inevitáveis.

A verdade mais profunda é que somos expressão direta da Fonte. Não há separação. Não há “poder do Criador” de um lado e “nós” do outro. Há um fluxo único.

Quando você reconhece isso, o “poder” não é algo a conquistar. É algo a lembrar.

“Lembrar de quem realmente somos” não é só uma frase bonita: é o centro de toda expansão de consciência. Vou te mostrar isso de um jeito profundo, simples e totalmente aplicável.

O que significa “lembrar de quem você realmente é”?

No fundo, é assim:

Você já é inteiro, potente, intuitivo, criativo, amoroso e conectado.

Mas, ao longo da vida, você esqueceu disso.

A gente cresce ouvindo mais sobre nossas falhas do que sobre nossa essência. Então vamos construindo uma identidade que não é nossa — feita de expectativas dos outros, medos herdados, padrões familiares, crenças sociais, traumas, defesas, comparações e sobrevivência emocional.

Com tudo isso, aquela versão verdadeira — livre, aberta, sensível, poderosa — vai ficando escondida, como se estivesse atrás de várias camadas.

“Lembrar” significa tirar as camadas, não “se tornar algo novo”.

Por que esquecemos?

Porque desde cedo aprendemos a sobreviver, não a existir plenamente.

A criança original que você foi — curiosa, espontânea, intuitiva, alegre — foi substituída por uma versão adaptada: “não chore”, “não fale isso”, “não pode errar”, “não seja sensível”, “não incomode”, “isso não é para você”, “Deus vai te castigar”, “Isso é pecado”, “Cale a boca”, “Você nunca vai ser alguém”.

Essas frases viram verdade interna.

O esquecimento é um mecanismo de proteção.

Lembrar é o movimento da vida adulta consciente.

A expansão de consciência é justamente isso: voltar para casa.

Não é sobre aprender algo novo. É sobre desaprender o que nunca foi seu.

É você perceber:

“eu não sou meus pensamentos”

“eu não sou minhas dores”

“eu não sou meus medos”

“eu não sou minhas crenças limitantes”

“eu não sou o que me ensinaram a ser”

Você é a consciência que observa tudo isso.

Quando você silencia a mente, você toca o ser.

Você é presença. Não é a narrativa interna.

O ser humano tem dimensão divina. A inconsciência não nos afasta dela — apenas nos faz esquecer.

Porém, lembrar não é um processo bonito e iluminado o tempo todo.

No começo, ele costuma ser incômodo. Quando você começa a tirar as camadas, vem à tona tudo aquilo que foi enterrado: as dores que nunca foram sentidas, as verdades que foram silenciadas, as partes de você que foram rejeitadas para caber nos moldes que não eram seus.

É por isso que a maioria das pessoas desiste. Porque lembrar dói antes de libertar.

Mas quem decide continuar, mesmo com o incômodo, descobre algo poderoso:

por trás de todas as camadas, você continua inteiro.

Nada foi perdido.

Só foi esquecido.

Lembrar não é sobre se transformar em alguém melhor.

É sobre parar de ser alguém que você não é.

E quando isso acontece, algo muda de lugar.

As escolhas começam a ficar mais claras.

O corpo relaxa.

A voz interna fica mais calma.

E, aos poucos, você para de viver em função do que aprendeu a ser e começa a viver a partir do que sempre foi: um ser divino, grandioso e incrível.

Esse movimento de volta para si não acontece de uma hora para outra.

Ele acontece em camadas.

Em respirações.

Em decisões pequenas que vão se acumulando até que, um dia, você olha para trás e percebe que não vive mais da mesma forma.

Este texto é um convite.

Um espaço onde você pode se encontrar com as partes de si que ficaram para trás.

Porque, no fundo, lembrar não é sobre chegar em algum lugar.

É sobre parar de fugir de casa.

Com presença,

Mari Presrlak

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